O gigante voltará ao sono profundo?

Tal quanto o país, as manifestações apresentam um caráter completamente heterogêneo. Além disso, o Brasil possui diversos problemas que desagradam diversos grupos e que podem ser observados nas manifestações. Essa característica passou a ser interpretada pela mídia como “movimentos sem causa bem definida” onde cada qual luta por aquilo que acredita e torna os protestos algo amplo e difuso. Mas uma coisa é certa: Todos convergem para a melhoria da nossa nação!

E foi esse caráter nacionalista e heterogêneo que desagradou a linha de frente das manifestações em São Paulo, o MPL. Nas ruas encontrávamos todo tipo de gente: O politizado – engajado em causas menos imediatas como saúde, educação, etc.- , o Legalize – que fazia questão de fumar sua erva e dar à esta certo caráter político e social -, o Modinha – que foi às ruas tirar sua foto para postar na rede social e dizer que fez história- e aqueles que são engajados politicamente e associados à algum partido e sua respectiva ideologia – este merece um paragrafo especial.

O MPL alegou encontrar parasitas do movimento que defendiam causas das quais eles discordavam, como a criminalização do aborto e a redução da maioridade penal. Além disso, criticou aqueles que hostilizaram os representantes de alguns partidos que tiveram bandeiras queimadas, sofreram repressão verbal, entre outros. Porém é inegável que estes estiveram presentes desde os primeiros atos e defenderam causas que estavam de acordo com a ideologia de esquerda do partido. Ou seja, o movimento sempre foi de esquerda e teve apoio de partidos políticos da esquerda. Quando este ganhou repercussão nacional através dos meios de comunicação – que enfatizaram o “apartidarismo” das manifestações –, aqueles que são conservadores ou apartidários, viram as bandeiras, que sempre estiveram presentes, como uma forma de oportunismo e certo desrespeito. Ou seja, teríamos nisso uma manipulação da informação a fim de criar tal discordância dentro das manifestações? Parece teoria da conspiração, mas a cada dia fica mais evidente a posição da televisão, dos jornais e revistas que possuem grande influência na opinião publica. Aqueles de maior alcance, sempre defenderam posições de direita e estiveram por trás de movimentos como a ditadura militar, a chegada de Collor ao poder, etc. Hoje a história parece se repetir e as redes sociais não foram capazes de conter o poder daquela que ainda possui maior influência sobre o povo: a televisão.

Em meio a tudo isso surge a oportunidade de grupos, ainda mais hostis – que vandalizam, assaltam, aterrorizam- atuarem. O movimento perde aos poucos o apoio popular, que nunca teve em maioria, logo, perde sua força.

No sétimo grande ato foi notória tal heterogeneidade e hostilidade daqueles que fugiram do caráter inicial do MPL: a manifestação pacifica em prol do passe livre. Frente a isso, estes decidiram pelo fim dos movimentos. As manifestações perderam a maior liderança e fonte de mobilização. A pergunta que fica agora é: Surgirão novas lideranças para defender as causas da maioria?

Caso todas as manifestações parem devido à falta de liderança, os protestos passados ficarão caracterizadas pela supervalorização dos 20 centavos que tanto foi questionada. Existe o risco do povo desacreditar nos futuros movimentos de rua que possam surgir. Assim, novas causas não terão apoio unânime e não terão forças para atingir seus objetivos. A omissão do MPL atrelada à falta de novos líderes podem ser motivos para o gigante voltar a dormir por mais um longo período.

Um Hipócrita.


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Inverno Brasileiro

Desde 18 de dezembro de 2010 o mundo ouve falar sobre a Primavera Árabe, a famosa onda revolucionária no Oriente Médio. Hoje, o Brasil é palco de uma “marolinha” revolucionária que aos poucos ganha repercussão nas mídias sociais e tende a torna-se um tsunami. Este movimento possui diversas semelhanças com aquele, entre elas, a propagação na internet e a censura na televisão. O povo saiu da insatisfação e foi às ruas.

Censura na televisão? Sim! A maneira como ela aborda o tema é completamente tendenciosa e manipuladora das massas. Aqueles que estão longe do movimento, longe do debate político e principalmente da consciencia política, são alienados por um meio de comunicação que defende interesses dos partidos políticos e seus respectivos governantes. A imagem relatada ao país é aquela que mostra os “vândalos” e “desocupados” que destroem o bem público por causa de um MISERO aumento de 20 CENTAVOS no transporte público.

Se você é um desses que acreditou e caiu na arapuca da mídia, calme, continue lendo esse texto. Os míseros 20 centavos de aumento não foi a causa dos protestos, mas sim, o estopim de uma população insatisfeita com o transporte público do Estado de São Paulo, onde as estações e vagões de metrô estão saturadas, com pouca manutenção e que não são suficientes para atender aqueles que necessitam dessa para sobreviver. A vida na metrópole torna-se ainda mais estressante com tal saturação e o governo ao invés de minimizar e investir na melhoria do sistema de transporte, resolve aumentar tarifas do transporte público ao mesmo tempo em que destina maior parte dos investimentos à melhoria do trânsito de carros particulares. Ou seja, o governo tira dos mais necessitados e dá aos burgueses paulistas.

O movimento tomou proporções de guerra civil em meio a metrópole do país! Os protestos, inicialmente pacíficos, tomaram proporções violentas a partir do momento que o despreparo da força policial gerou pequenos incidentes que se transformaram em confrontos entre PM`s, estudantes, jornalistas e cidadãos que passavam pelo local. Essa péssima atuação da força policial passou a ser relatada quando esses atingiram jornalistas que exerciam sua profissão em meio ao caos. Foram vários os casos que circulam nos principais jornais do Estado e nas redes sociais. Tal despreparo é observado pela massiva opressão dos participantes do movimento que pediam “abaixo à violência” e jogavam flores ao mesmo tempo que recebiam balas de borracha e gás lacrimogênio com prazo de validade ultrapassado. No outro movimento, PM`s receberam ordens para prender aqueles que detinham VINAGRE! (Vinagre: Arma perigosa, vendida em supermercados, possível ingrediente de uma bomba atômica.)

Os absurdos são maiores, os erros policiais são recorrentes, os políticos se omitem e criticam o movimento. O que chega à maior parte da população é manipulado e tendencioso. Mas em oposição, o povo brasileiro com consciência política, os estudantes, os intelectuais, os trabalhadores,  unem-se por meio das redes sociais e organizam novos movimentos e de maiores proporções. A parte consciente da população aderiu ao “inverno brasileiro” e aproveita o movimento oportuno para se expressar em vários estados do Brasil. Aqueles que sempre estiveram insatisfeitos – com a corrupção, com a ditadura populista disfarçada do governo que surgiu da luta de classes do ABC paulista, com a hipocrisia do país que investe bilhões na copa – saíram às ruas para lutar por direitos! É hora da população sair do conforto do sofá e ir à luta em prol de medidas mais efetivas e menos paliativas.

Um Hipócrita.

contato: artedahipocrisia@gmail.com